DJ Pug — uma vida contada através da música
Das primeiras festas entre amigos no início dos anos 1990 às lives em vinil, DJ Pug atravessou diferentes gerações, tecnologias e pistas sem perder a relação afetiva com a música.

Minha história como DJ começou no início dos anos 1990, de uma maneira simples, como muitas grandes histórias começam: entre amigos, música e vontade de fazer a festa acontecer.
Por volta de 1990, comecei a tocar em pequenas festas de amigos. Naquele momento, eu não imaginava que aquela paixão iria me acompanhar por mais de três décadas e se tornaria uma parte tão importante da minha vida.
A música sempre teve um significado especial para mim. Eu gostava de descobrir sons, observar as pessoas dançando e perceber como uma determinada música podia mudar completamente o ambiente.
Aos poucos, fui levando aquilo mais a sério.
Das festas entre amigos às boates
Entre 1994 e 1995, comecei a me profissionalizar e a fazer festas maiores, até chegar às boates. Foi quando percebi que aquilo que começou como diversão poderia realmente se transformar em uma profissão.
E veio também uma época que marcou profundamente a minha formação: a época dos discos.
Naqueles anos, conseguir música era uma verdadeira busca. Muitas das faixas que queríamos tocar eram importadas. Dependíamos de lojas especializadas, de contatos e, muitas vezes, de alguém que viajasse para fora do país e pudesse trazer aquele disco tão desejado.
Quando finalmente conseguíamos, havia uma sensação especial. Aquele disco passava a fazer parte do nosso acervo, da nossa identidade como DJ.
Hoje é difícil explicar para quem começou na era digital o que significava preparar uma noite levando uma coleção de discos. Você precisava conhecer o que tinha, lembrar onde estava cada música e, acima de tudo, confiar na sua experiência.
Foi nas boates que aprendi a sentir a pista
Aprendi que nem sempre a música que você mais gosta é a música que o público quer ouvir naquele momento. Uma boa noite depende de perceber as pessoas, entender a energia do ambiente e saber construir a viagem musical.
Foram noites, festas, aprendizados e muitas histórias.
Uma profissão que nunca deixou de evoluir
Depois vieram os CDs. Mais tarde, os computadores, a internet e as músicas digitais.
A profissão mudou completamente.
Mas eu também entendi que, para continuar acompanhando essa transformação, não bastava apenas ter experiência. Era preciso continuar aprendendo.
Ao longo da minha trajetória, busquei me atualizar em equipamentos e novas tecnologias, inclusive realizando atualizações e treinamentos na iGroove. Também tive a oportunidade de aprender e aperfeiçoar técnicas com professores extremamente dedicados, com muita experiência e conhecimento técnico.
Esses momentos foram importantes porque me lembraram de algo que acredito até hoje: por mais tempo que você tenha de profissão, sempre existe algo novo para aprender.
Cada equipamento tem suas particularidades. Cada técnica pode abrir uma nova possibilidade. E cada profissional que compartilha seu conhecimento também deixa alguma coisa na nossa trajetória.
Para mim, continuar estudando não significa esquecer aquilo que aprendi no passado. É justamente o contrário.
É unir a experiência de quem começou no vinil com as possibilidades que a tecnologia oferece hoje.
Os discos que nunca foram embora
Muitos DJs acabaram deixando para trás seus antigos acervos e seguiram apenas com a praticidade do mundo digital.
Eu preferi guardar uma parte da minha história.
Nunca me desfiz dos meus discos.
Eles permaneceram comigo durante todos esses anos. Hoje, curiosamente, aqueles mesmos discos que fizeram parte da minha juventude e das minhas noites nas boates voltaram a ocupar um espaço especial na minha vida profissional.
Sou convidado para participar de lives totalmente em vinil e também de festas que celebram os anos 80, 90 e 2000.
E existe uma emoção muito particular em colocar para tocar uma música em um disco que está comigo há décadas.
Porque naquele momento não estou apenas tocando uma música. Estou reencontrando uma parte de mim.
É como se, por alguns minutos, todas aquelas lembranças voltassem: as primeiras festas, as boates, os amigos, as noites de música e a sensação de estar começando a descobrir um mundo que acabaria se tornando a minha paixão.
E então nasceu o DJ Pug
Em meio a toda essa trajetória, também surgiu a necessidade de encontrar um nome que representasse minha identidade.
Sempre fui apaixonado por animais e tenho um carinho especial pelos cães. Tenho uma pug, e foi justamente dessa paixão que nasceu o nome DJ Pug.

O nome acabou ganhando vida própria.
Hoje, quando alguém fala DJ Pug, não está falando apenas de um nome artístico. Está falando de uma história construída ao longo de muitos anos.
Uma história que começou em pequenas festas de amigos, passou pelas boates, atravessou diferentes tecnologias e continua viva até hoje.
Mais de três décadas depois
Muita coisa mudou.
Mudaram os equipamentos, mudou a maneira de encontrar música, mudaram as pistas e até a forma de ser DJ.
Mas algumas coisas permanecem.
A emoção de encontrar uma música certa para aquele momento. A reação de uma pista quando começa aquele clássico que todo mundo conhece. E, principalmente, a sensação de saber que a música ainda é capaz de criar momentos inesquecíveis.
Hoje, quando olho para trás, percebo que não passei apenas por diferentes fases da música. Eu vivi diferentes gerações através dela.
E talvez seja esse o maior presente que ser DJ me deu: a possibilidade de transformar música em memória.
A minha história começou há mais de 30 anos. E enquanto houver uma pista, um disco para tocar, uma nova técnica para aprender e pessoas dispostas a dançar, essa história ainda não terminou.
Eu sou DJ Pug. E essa é a minha história, contada através da música.