DJ Marcus Guedes — uma vida dedicada à música desde 1974
Dos primeiros discos e festas nos anos 1970 às residências em boates, programas de rádio e ao retorno à sala de aula para estudar produção musical: Marcus Guedes conta uma trajetória que atravessa mais de cinco décadas.

Minha história como DJ começou em 1974. Naquele momento, dois profissionais que trabalhavam na boate Mikonus — Hulk e Zequito — chamaram minha atenção e despertaram em mim a curiosidade por uma atividade que acabaria atravessando grande parte da minha vida.
O que começou como fascínio por discos, pista e seleção musical ganhou espaço aos poucos. Mais de cinco décadas depois, percebo que a música não foi apenas uma sequência de trabalhos: ela se tornou uma linha contínua conectando festas, boates, rádio, residências e novas fases de aprendizado.
Os primeiros discos e a festa que virou marco
Em 1976, aconteceu uma situação que guardo com carinho. A Mikonus entrou em reforma e, pela amizade que eu tinha com os DJs, os discos da boate ficaram temporariamente na minha casa. Para alguém que estava começando a construir sua relação com a discotecagem, conviver de perto com aquele acervo foi uma experiência muito especial.
No ano seguinte veio meu primeiro grande momento no comando do som. Em 1977, fui responsável pela música da festa de aniversário de 16 anos do meu melhor amigo, realizada no apartamento dele para cerca de 250 convidados. A responsabilidade era enorme — e aquela noite se tornou um dos marcos da minha trajetória.
- 1974: início da relação com a discotecagem.
- 1977: primeira grande festa no comando do som.
- 1979–1985: profissionalização na boate Aquarius, em Teresópolis.
- Depois: rádio, residências na noite carioca e novas fases profissionais.
- Mais recentemente: retorno aos estudos com foco em produção musical.

Das primeiras festas à profissionalização
Entre 1979 e 1985, minha atuação passou a ter caráter definitivamente profissional na boate Aquarius, no Higino, em Teresópolis. Foram anos importantes para ganhar experiência, entender a dinâmica de uma pista e construir confiança no trabalho.
Ao longo dessa caminhada, fui percebendo algo que só o tempo ensina: tocar não é simplesmente escolher músicas de que você gosta. Existe uma relação com o público, com o espaço, com o momento e com a resposta da pista. Quanto mais você convive com um público, mais aprende a observar essas respostas.
O rádio como extensão da pista
O rádio também ganhou um espaço importante na minha história. Um dos grandes momentos foi ter meu programa na Imprensa FM, na frequência 102,1, no Rio de Janeiro.
Mais tarde, por motivos profissionais, morei durante dois anos em Joinville, em Santa Catarina. A música foi junto comigo: tive programas na Rádio Colon FM, conheci outro público e ampliei minha experiência para além do Rio.
Minha trajetória nas rádios passou ainda, segundo meu relato, por residências em programas da Jovem Pan FM, RPC FM e Transamérica FM, além de participações na Cidade FM e na Globo FM.
Hoje continuo presente no rádio. Sou DJ residente de dois programas na Web Rádio In, de Vitória, no Espírito Santo — um voltado às músicas atuais e outro ao flashback — e também participo aos sábados do programa Beat Goes On, na Real FM, de Resende. Uma vez por mês, participo do Na Vibe Pra Curtir, na Terê FM, de Teresópolis.

Uma história construída também na noite carioca
De volta ao Rio de Janeiro, fui DJ residente em diferentes casas que marcaram fases da minha trajetória. Participei da inauguração da El Turf, na Gávea, onde também fui residente e lancei um CD. Inaugurei e fui DJ residente da Kozumel, na Lagoa. Na Barra da Tijuca, participei da reinauguração da Slavia, onde também atuei como residente e lancei outro CD. Outra passagem importante foi o Ki Lounge, na Lagoa.
Para mim, a residência sempre teve um valor especial. É ali que o DJ deixa de enxergar a noite como uma sequência isolada de apresentações e passa a construir uma relação continuada com o público. A cada noite, você aprende um pouco mais sobre aquela pista.


Depois de décadas de carreira, voltar a ser aluno
Mesmo depois de tantos anos de atuação, chegou um momento em que senti necessidade de aprofundar minha base técnica. A experiência acumulada nas pistas e no rádio continuava comigo, mas eu queria avançar em produção musical e entender melhor outras etapas do processo criativo.
Depois de avaliar minhas opções, escolhi estudar na iGroove. Na minha experiência, teoria e prática estiveram presentes desde a primeira aula, e isso tornou o aprendizado mais concreto: o que aparecia como conceito podia ser colocado em prática logo depois.
“Para mim, a iGroove é a melhor escola do segmento.”
Voltar à posição de aluno depois de uma longa trajetória profissional foi uma decisão importante. Não significou abandonar o que eu já sabia. Significou aceitar que experiência e aprendizado podem caminhar juntos — e que sempre existe espaço para aprofundar conhecimentos.
A próxima faixa
Quando olho para trás, lembro dos DJs que me inspiraram, dos discos da Mikonus guardados na minha casa, da festa de 1977, das temporadas em boates, das residências e dos programas de rádio. São capítulos muito diferentes, conectados pela presença constante da música.
Desde 1974, mudaram equipamentos, formatos e maneiras de ouvir, tocar e produzir. O que permaneceu foi a vontade de acompanhar essas transformações sem perder a relação com a pista e com o repertório.
Depois de mais de cinco décadas, ainda existe música para descobrir, conhecimento para desenvolver e histórias para compartilhar.